Quando vim para Ribeirão Preto, há 4 anos atrás, deixei meu consultório em Bauru, pois estava insegura de ter que começar tudo do zero, novamente. Depois de algum tempo aqui, fui trabalhar num convênio, coisa inimaginável para mim, que sempre tive minha opinião formada sobre convênios odontológicos. E como não poderia deixar de ser, trabalhei lá apenas por 4 meses, tempo em que minha simples opinião se transformou em convicção profissional.
Por outro lado, como considero que toda experiência nos traz um ganho - nem que seja apenas o enriquecimento no repertório - acabei conhecendo pessoas muito interessantes por lá, especialmente a Priscilla, que é hoje, uma das pessoas mais importantes e queridas na minha vida, junto com sua família. Depois de um tempo, trouxe meu consultório pra cá, a Pri foi trabalhar comigo e, como ela tinha trabalhado por muitos anos no tal convênio, conseguiu com que o protético de lá mantivesse pra gente, os mesmos valores que cobrava do convênio. Isso significava quase 50% dos valores da maioria das tabelas de outros protéticos da cidade.
Mas, o barato sai caro! O pessoal do laboratório é extremamente desorganizado com os materiais e os prazos. Promete entregar uma peça na quarta-feira, pela manhã, pra que eu possa antender o paciente à tarde. Chega a hora do almoço, eu ligo e escuto: "Ah, doutora, não vai dar não, heim?! Marca pra sexta, mas se quiser garantir, mesmo, só segunda!"
E as moldeiras? Nunca devolvem!!! Ai, quando vou ficando sem, ligo lá e escuto: "Não tá devolvendo suas moldeiras? Vou falar com o Fulano, já avisei ele pra separar as moldeiras e devolver junto com o trabalho." Aí o Fulano fala: "Doutora, tem que por nome das moldeiras, doutora!" e eu respondo: "Fulano, TODAS as minhas moldeiras têm nome!" e ele ainda responde: "Ah, doutora, então não tem nenhuma moldeira da senhora aqui, não!" É claro que não, estão todas com outros dentistas! Da mesma forma que, quando fiquei muito brava e exigi minhas moldeiras, recebi moldeiras com nomes de dentistas da cidade inteira! Mas esse problema eu já resolvi: agora eu anoto na requisição de serviço que vai pra ele, as moldeiras enviadas e, no dia do acerto, desconto tudo! R$4,50 uma moldeirinha perfurada de alumínio!!!! Já perdi uns 3 jogos...
Um dia, perderam a prótese provisória removível (perereca) da paciente, que tinha sido enviada pra conserto. "Doutora, pode moldar que eu faço outra pelo valor do conserto." Seria o mínimo, mas e minha hora clínica, material de moldagem, descartáveis e etc??? Também perderam um núcleo mas, esse acabou aparecendo: tinham entregue a outro dentista, por engano.
E todo mês, na hora de fazer o acerto, tenho que ir até lá, com todos os recibos e requisições, pois sempre esquecem de dar baixa nos pagamentos e acabam cobrando a mais - nunca a menos (!)
E com todo esse vasto repertório, aconteceu algo muito desagradável. Pedi para buscarem a prova da PPR em cera e o Fulano disse que não ia levar, pois estava sem o modelo. Como eu não estava trabalhando naquele dia, só soube depois, quando a secretária me ligou. Liguei no laboratório e disse que o modelo não estava lá, que eu tinha recebido a estrutura sem o modelo. Insisti nisso, acabamos discutindo, eu relatei todos os fatos anteriores que aconteceram por irresponsabilidade e desorganização, o que me fazia acreditar que não seria nada improvável que eles tivessem também, perdido aquele modelo. Eu estava extremamente cansada, a semana anterior havia sido muito corrida. Terminei dizendo que depois conversaríamos sobre o fato, mas que não via mais possibilidades de continuar trabalhando com eles.
No sábado, fui abrir a clínica para que fosse dedetizada. Entrei na minha sala e eis que, misteriosamente, encontrei o modelo na gaveta. Putz, fiquei muito mal... Eu tive razão em absolutamente tudo que havia acontecido até então, mas agora... O maldito modelo estava ali, na minha frente!
Contei pra minha amiga e ela sugeriu: "Vai lá pra levar a estrutura e dá um jeito de jogar esse modelo em algum canto do laboratório. No meio daquela bagunça, vão achar que eles é que perderam, mesmo, se é que vão encontrar um dia!" A outra amiga foi mais longe: "Não! Dá um jeito de jogar no lixo deles e aí você grita 'Não é o meu modelo? No lixo??? Que absurdo!!!' E vê a cara deles!"
Bem, claro que tudo isso foi apenas brincadeira pra tentar me descontrair. Vou até lá, sim, humildemente me desculpar pelo engano e entregar a estrutura com o modelo. Mas, ficou claro que chegou a hora de fazer o que já deveria ter feito há muito tempo: trocar de protético!



