domingo, 8 de novembro de 2009

Meu protético patético!


Quando vim para Ribeirão Preto, há 4 anos atrás, deixei meu consultório em Bauru, pois estava insegura de ter que começar tudo do zero, novamente. Depois de algum tempo aqui, fui trabalhar num convênio, coisa inimaginável para mim, que sempre tive minha opinião formada sobre convênios odontológicos. E como não poderia deixar de ser, trabalhei lá apenas por 4 meses, tempo em que minha simples opinião se transformou em convicção profissional.
Por outro lado, como considero que toda experiência nos traz um ganho - nem que seja apenas o enriquecimento no repertório - acabei conhecendo pessoas muito interessantes por lá, especialmente a Priscilla, que é hoje, uma das pessoas mais importantes e queridas na minha vida, junto com sua família. Depois de um tempo, trouxe meu consultório pra cá, a Pri foi trabalhar comigo e, como ela tinha trabalhado por muitos anos no tal convênio, conseguiu com que o protético de lá mantivesse pra gente, os mesmos valores que cobrava do convênio. Isso significava quase 50% dos valores da maioria das tabelas de outros protéticos da cidade.
Mas, o barato sai caro! O pessoal do laboratório é extremamente desorganizado com os materiais e os prazos. Promete entregar uma peça na quarta-feira, pela manhã, pra que eu possa antender o paciente à tarde. Chega a hora do almoço, eu ligo e escuto: "Ah, doutora, não vai dar não, heim?! Marca pra sexta, mas se quiser garantir, mesmo, só segunda!"
E as moldeiras? Nunca devolvem!!! Ai, quando vou ficando sem, ligo lá e escuto: "Não tá devolvendo suas moldeiras? Vou falar com o Fulano, já avisei ele pra separar as moldeiras e devolver junto com o trabalho." Aí o Fulano fala: "Doutora, tem que por nome das moldeiras, doutora!" e eu respondo: "Fulano, TODAS as minhas moldeiras têm nome!" e ele ainda responde: "Ah, doutora, então não tem nenhuma moldeira da senhora aqui, não!" É claro que não, estão todas com outros dentistas! Da mesma forma que, quando fiquei muito brava e exigi minhas moldeiras, recebi moldeiras com nomes de dentistas da cidade inteira! Mas esse problema eu já resolvi: agora eu anoto na requisição de serviço que vai pra ele, as moldeiras enviadas e, no dia do acerto, desconto tudo! R$4,50 uma moldeirinha perfurada de alumínio!!!! Já perdi uns 3 jogos...
Um dia, perderam a prótese provisória removível (perereca) da paciente, que tinha sido enviada pra conserto. "Doutora, pode moldar que eu faço outra pelo valor do conserto." Seria o mínimo, mas e minha hora clínica, material de moldagem, descartáveis e etc??? Também perderam um núcleo mas, esse acabou aparecendo: tinham entregue a outro dentista, por engano.
E todo mês, na hora de fazer o acerto, tenho que ir até lá, com todos os recibos e requisições, pois sempre esquecem de dar baixa nos pagamentos e acabam cobrando a mais - nunca a menos (!)
E com todo esse vasto repertório, aconteceu algo muito desagradável. Pedi para buscarem a prova da PPR em cera e o Fulano disse que não ia levar, pois estava sem o modelo. Como eu não estava trabalhando naquele dia, só soube depois, quando a secretária me ligou. Liguei no laboratório e disse que o modelo não estava lá, que eu tinha recebido a estrutura sem o modelo. Insisti nisso, acabamos discutindo, eu relatei todos os fatos anteriores que aconteceram por irresponsabilidade e desorganização, o que me fazia acreditar que não seria nada improvável que eles tivessem também, perdido aquele modelo. Eu estava extremamente cansada, a semana anterior havia sido muito corrida. Terminei dizendo que depois conversaríamos sobre o fato, mas que não via mais possibilidades de continuar trabalhando com eles.

No sábado, fui abrir a clínica para que fosse dedetizada. Entrei na minha sala e eis que, misteriosamente, encontrei o modelo na gaveta. Putz, fiquei muito mal... Eu tive razão em absolutamente tudo que havia acontecido até então, mas agora... O maldito modelo estava ali, na minha frente!
Contei pra minha amiga e ela sugeriu: "Vai lá pra levar a estrutura e dá um jeito de jogar esse modelo em algum canto do laboratório. No meio daquela bagunça, vão achar que eles é que perderam, mesmo, se é que vão encontrar um dia!" A outra amiga foi mais longe: "Não! Dá um jeito de jogar no lixo deles e aí você grita 'Não é o meu modelo? No lixo??? Que absurdo!!!' E vê a cara deles!"

Bem, claro que tudo isso foi apenas brincadeira pra tentar me descontrair. Vou até lá, sim, humildemente me desculpar pelo engano e entregar a estrutura com o modelo. Mas, ficou claro que chegou a hora de fazer o que já deveria ter feito há muito tempo: trocar de protético!


O paciente enjoado (literalmente!)

Quando contei sobre o paciente que sente ânsias durante o tratamento, alguns colegas sugeriram, sabiamente, a sedação. O problema é que eu não tenho equipamento para sedação, nem habilitação para esse procedimento. Ok, poderia encaminhá-lo a algum colega, como já fiz outras vezes. Porém, esse paciente não poderia pagar por isso e, caso eu não desse continuidade ao tratamento dele, certamente procuraria outro dentista, como fez anteriormente, e continuaria fazendo ou desistiria de vez, até que as dores começassem ele acabaria num "postinho", pedindo pra "arrancarem" logo o dente dele.
Então, não desisti dele. Na primeira consulta para procedimento restaurador, foi um sufoco. Sem chances de se fazer isolamento absoluto! E cada vez que ele ia tossir e cuspir, contaminava toda a cavidade e eu tinha que fazer tudo de novo. Com muito custo, paciência e rapidez (logo eu, que sou tão lerda!) consegui fazer uma classe I no 44!
Bem, mas classe I é moleza, né? Ainda restavam o 35-OD, 24-OD e 25-OM.
Na próxima consulta, mudei o planejamento e lancei mão de uma estratégia que vi lá atrás, na Odontopediatria e Saúde Coletiva: escavação em massa! Pra nossa sorte, o paciente tem um limiar muito bom pra dor! Eu precisava ganhar tempo e eliminar procedimentos, então, sugeri que tentássemos sem anestesia. Eu odeio fazer isso, pois quase nunca dá certo, aí o paciente reclama de dor, a gente tem que parar, aí ele quer tentar mais um pouquinho, dói de novo e ele pergunta se ainda vai demorar, pra ver se ele aguenta terminar - e nunca aguenta! E aí, depois de ter perdido todo esse tempo, acaba tendo mesmo que anestesiar. Por isso, sempre tento convencê-los a me deixar anestesiar. Mas dessa vez, foi a melhor escolha!
Consegui fazer a remoção de tecido cariado dos 3 dentes e aí ele deu aquela cuspida básica. Limpei as cavidades e, rapidamente, coloquei Bioplic material restaurador temporário. A escolha por esse material deveu-se ao fato de dispensar manipulação e pela facilidade de remoção.
Bem, até agora deu certo, pois as próximas consultas foram mais rápidas e só falta o 35! Acho que vai dar tudo certo e ele sente-se menos constrangido. Uffa!

domingo, 25 de outubro de 2009

25 de outubro

Ah, tá... hoje também é o Dia do Dentista.

Mas, hoje é um dia muito especial, porque é o aniversário de uma pessoa muito especial.

Quando o Joaquim me apresentou o Gérson, eu pensei que nunca, jamais seria amiga daquele cara encostado no balcão, tomando cerveja no Armazém Bar, em Bauru. Na época, ele era repórter do Aqui e Agora, extinto programa do SBT, mas isso não fazia a menor diferença pra mim, que nem sabia de que se tratava o programa, muito menos, quem era aquele tal "Gérson de Souza, aqui e agora." E isso também não fazia a menor diferença pra ele, que nunca se aproveitou de sua imagem pra coisa alguma.

Naquela noite, briguei com o Joaquim por ter bebido demais, por estar feliz demais, bebendo como um amigo que amava demais e bebia tanto quanto ele, ou seja, DEMAIS! Odiei o Gérson.

Algum tempo depois, os dois promoveram novo encontro. Desta vez, conheci a Elaine, sua esposa e pensei "nossa, ela sim, deve ser da televisão!", pois achei ela muito chique e bonita. Também conheci suas filhas. Foi uma noite longa e muito divertida, quando soube ainda, que a Elaine teve a mesma primeira impressão sobre o Joaquim!

A partir daí, fui conhecendo e me surpreendendo cada vez mais com aquele cara do balcão do Armazém. Hoje, quando vou descrever o Gérson, começo assim: "Sabe aquele cara que é capaz de tirar a própria camisa pra dar pro outro? É ele! Mas isso não é modo de falar; é o que ele é capaz de fazer!"

E por isso que nossa amizade se fortaleceu e nossos laços familiares se estreitaram. Quando a Rafa nasceu, escolhi o Gérson e a Elaine para serem seus padrinhos. Eles aceitaram felizes e se empenharam bastante, pois não foi fácil aquele cursinho da igreja, domingo de manhã, todos com sono e ressaca! E eu não tenho a menor dúvida de que fiz a escolha certa, pois não penso em mais ninguém que pudesse dedicar tanto amor a minha filha, como fazem Gérson e Elaine.

Meu cumpadi Gersinho hoje, amadureceu bastante, dá menos trabalho pra minha cumadi, é um pai, avô e padrinho amado, um grande amigo e um profissional dedicado e admirado, que tem demonstração do reconhecimento do público por onde passa.

Espero que ele tenha tido um dia feliz e preguiçoso, como ele gosta! E como neste ano, caiu num domingo, que tenha sido um Domingo Espetacular!






domingo, 18 de outubro de 2009

Médicos e loucos

Eu me lembro de 3 grandes médicos da minha infância, numa época em que medicina era verdadeiramente doação, amor e sabedoria.

Dr Semi - sempre achei esse nome estranho. Magrinho, já meio grisalho, de bigode, andava sempre meio curvadinho e cabeça baixa. Naquela época, fumar era chic demais, e ele (pasmem!)fumava dentro do consultório, onde sempre havia um cinzeiro cheio sobre a mesa de consulta. Não preciso dizer que tudo ali fedia a cigarro, mas o cara era bom e aguentou firme, sem nunca reclamar, todas a milhares de vezes que a gente apertava a campainha e saía correndo.

Dr. Gil Borges - o melhor! Ele era alto, careca e sempre andava com um casaquinho de lã abotoado errado! Lembro-me direitinho de um dia em que vomitei no canteiro da casa dele. Mas foi porque, naquela época, os consultórios eram nas próprias casas, então, acho que foi o local mais apropriado que minha mãe pensou em me botar pra chamar o hugo! O consultório dele era amplo, claro, com aqueles armários de ferro e vidro, cheios de frascos marrons de remédios. Naquela época, eu achava a casa dele muito grande, linda, diferente. Morria de curiosidade por conhecê-la. Por ironia, anos depois, namorei o sobrinho do cara que havia comprado a casa após a morte do dr. Gil. É lóóóóógico que pedi pra conhecer! Mas é engraçado que, depois que crescemos, tudo nos parece bem menor que antes!

Dr. Marciglio - o pior! kkkk Coitado, nem sei se era bom um ruim, pois não me lembro dele tratando de mim. Mas, lembro-me de que ele já não enxergava muito bem e um dia, fui ao consultório para que ele fizesse o exame médico pro clube. Eu já havia tirado o chinelo, ele sentou-se na minha frente, olhou pro meu pé e disse: "Pode tirar o sapato." E na hora de assinar a carteirinha, ainda colocava uma lupa na cabeça!!!

Infelizmente, hoje, a medicina se transformou num negócio rentável para alguns, numa ferramenta de status social para outros. Mas, ainda acredito que muitos escolheram a profissão por amor, por isso se doam na busca pela sabedoria de salvar vidas.

Hoje é Dia do Médico e por tudo, não poderia deixar de citar aqueles e estes nomes: Dr. Carlos, Dr. Moacyr, Dr. Aulus, Dr. Negrato, Dra. Thaísa, Dr. Ênio e...


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Traz o balde!

Talvez seja uma questão de pura sensibilidade. Sério, tem pessoas que são muito sensíveis, mesmo, e qualquer coisinha diferente na boca, já sentem ânsias...

Já tive pacientes assim e é um problema! Vai tirar radiografia: arrgh! Vai fazer moldagem: arrgh! Coloca o sugador: arrgh! Algodãozinho: arrgh! Tem que ter paciência, parar um pouquinho, pedir pro paciente respirar fundo pelo nariz e perguntar (de olho no relógio): "Vamos tentar continuar?" Normalmente dá certo. Nunca precisei interromper um tratamento por conta dessa situação.

A pior foi minha irmã, mas parente... é aquela velha história: tudo dói, tudo incomoda e ainda por cima, é tudo de graça! Mas, mesmo ela querendo chamar o hugo a todo momento, consegui fazer a extração do terceiro molar dela (siso). Ao menos ela me elogia muito, até hoje!

Por esses dias, um homem de 53 anos, forte, marcou horário pra fazer uma avaliação. Algumas cáries pra fazer, restaurações pra refazer e muita faxina (profilaxia). Muito bem, conversamos, passei o orçameto e ele agendou pra começar o tratamento.

No primeiro dia, eu estava um pouco atrasada e cometi o grave erro de deixar pra preencher a ficha de saúde (anamnese) na próxima consulta. Então, antes mesmo de iniciar a profilaxia, ele avisou: "Doutora, eu tenho um pouco de ânsia, viu?" Eu disse que tudo bem, "qualquer coisa, me avise" e iniciei. Até que me saí bem e ele também.

Na próxima consulta, antes de iniciar procedimento, lá fui eu com a ficha de saúde (um dia ainda vou postar sobre ela - adoro! Quando perguntei se ele havia concluído o último tratamento, ele respondeu que não. Em seguida: "Por que?" e ele foi sincero: "Por causa da minha ânsia, doutora. O dentista não conseguiu acabar meus dentes." Hummm, pensei.

Ficha preenchida e assinada, vamos trabalhar! Assepsia, anestesia e a frase introdutória: "Sr. Fulano, vou começar e se sentir algo, me dê um sinal que eu paro." De repente, esse homem forte afasta minha mão com toda a força de seu estômago e se levanta pra cuspir! O susto que eu levei, não dá pra descrever, porque nunca, nem criança, jogou minha mão tão longe quanto ele! Pediu desculpas, tomou um fôlego e tentamos continuar. Mas, foi muito difícil, principalmente porque a ânsia que ele tem me pareceu de origem psicológica, pois não há um fator desencadeante, como excesso de saliva, algodão ou sugador na goela, por exemplo. E enquanto eu tentava trabalhar, ficava pensando o quanto o outro dentista havia aguentado e o quanto eu ainda aguentaria...


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Eu quero um robô!

Graciete - a Gra foi a primeira, aqui em Ribeirão e veio indicada por uma prima. Teimosa e gastadeira, insistia em fazer tudo do jeito dela. Os produtos de limpeza que ela usava saiam mais caros que o salário que ela recebia. Volta e meia, pedia aumento e a gente ficava com pena e acabava concordando com as contas doidas que ela fazia. Ficou 8 meses, teve uns problemas com um filho e pediu pra sair.

Larissa - uma moça nova, indicada por uma paciente. Era nova demais, gostava de pagode e celulares. Tanto que, quando descobriu minha sacola cheia de celulares que ninguém usava mais, ficou enlouquecida e queria comprar. Então, pedi para que escolhesse e eu descontaria 50 reais do salário dela. Eu não ia descontar, acabaria dando de presente, mas ela saiu antes de vencer o mês... e não me pagou! Até que minha paciente soube, foi até a igreja que frequentavam, contou pro pastor, que a fez vir trazer o dinheiro. Aí, eu aceitei só porque ela tinha me deixado na mão!

Lala - nossa, nem me lembro como foi que chegou em mim! Era uma senhora pernambucana faladeira e de sotaque arrastado. Nessa época, viajei em lua-de-mel pra Recife e ela me pediu um presentinho. Trouxe uma rapadura da feira de Caruaru e ela até chorou, pois dizia que morria de saudades daquele "docinho, docinho, docinho"! Um dia, passei de carro, a vi e ela deu tchauzinho. Segui pensando "não era pra Lala estar em casa?" Nunca mais voltou, nem pra receber!

Maria - ave Maria! Eu sentava pra almoçar e ela ficava parada, em pé ao meu lado, falando, falando, falando sem parar. Eu me levantava e ela ia andando atrás de mim e falando!!! Se eu chamasse a atenção sobre alguma coisa, ficava magoada e depois, tinha que discutir a relação!!! Era louca pela filha, pra quem eu vivia mandando presentes. Um dia, disse que não dava mais, que ia parar de trabalhar. Fiz o acerto num dia e no outro já contratei outra. A Maria se arrependeu a ainda ficou mais de um mês me ligando e pedindo pra voltar.

Jane - tinha vindo de Goiás, onde trabalhava numa fazenda. Nunca vi uma pessoa gostar de ser empregada como ela! Seu sonho era usar uniforme! Me chamava de "doutora Mônica", e falava "com licença", "mais alguma coisa", "estão satisfeitos", "posso sair", com a maior pose! Quando tinha visita, chegava antes das 7 pra preparar o café da manhã e ainda lavava meu carro aos sábados. Um dia, chegou uma conta telefônica de mil reais: 800 reais em ligações pra Goiás!!! Conversamos e resolvemos que seria descontado do salário, mas ficamos com pena e ainda não tínhamos descontado nada, até que desconfiei que havia sumido um dinheiro da Rafaela. Pois é, não podia nem dar a desculpa de que eu a tinha deixado lisa!!! Foram 8 meses e pelas contas do contador, ela ainda ficou me devendo 94 reais! Uma pena, porque essa seria perfeita, se não fosse ladra!

Joyce - um ano e meio! Durante um ano e meio essa moça faltou mais que 50 dias! Faltava 1 dia, depois 2 seguidos, passava um tempo e faltava de novo... Isso porque sempre emendava os feriados, fim de ano ela ficava 15 dias de folga e eu nem contava como férias! Não era perfeita para o serviço, mas era na dela e sabia ouvir e cumprir as ordens direitinho. Eu eu acredito, do fundo do meu coração que ela gostava da gente!!! E a gente gostava muito dela!!! Mas, um dia, tivemos que conversar sobre as faltas. Nada de mais: se faltar, tem que avisar e trazer justificativa, ou terá o(s) dia(s) descontado(s). Justo e legal (dentro da lei!). Adiantou? O pior foi o dia que ela faltou 3 dias dizendo que a filha estava com dor de dente e os postos não queriam atender. Mentira! Até liguei no posto e falei com a coordenadora! E depois, aloôu! EU SOU DENTISTA!!!!!!! E em setembro? Faltou numa sexta, dia 4, no sábado (5), depois era domingo, e segunda (7), feriado. E terça? Faltou também!!!! Semana passada eu fui pagar o mês de setembro e descontei os 3 dias, como combinado. No dia seguinte, ela não apareceu e mandou a mãe ligar, dizendo que ela não voltaria mais, pois ficou muito chateada comigo!!!! Eu posso????

Por essas e outras (empregadas) é que eu digo que tenho que deixar de ser boba e ser carrasca! "Leiê, leiê, leiêleiêleiê!" Mas, como a época da escravidão já passou, só me resta suplicar para que a era dos robôs chegue rapidamente! Um robô doméstico é meu atual sonho de consumo: não recebe salário, não reclama, não rouba, não enche o saco!

Mas, enquanto isso, rezo pra que a Cida seja aprovada na entrevista amanhã e demore muito pra fazer parte de um post como este!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

0800-00000004

Tá muito difícil de conseguir um tempo pra postar... Sem falar que aqui em casa tá um problema: a rede tá uma porcaria, não dá pra usar duas máquinas ao mesmo tempo, pois fica lento demais. Então, quem chegar primeiro, se dá bem... Hoje eu cheguei mais cedo e aqui estou!

E chegando em casa, vi que o técnico não veio ver o meu fogão!

A história do fogão: o Joaquim gosta de se meter a cozinhar. Eu costumo dizer que ele gosta é de jogar a comida dentro da panela, porque tudo o que ele faz é assim: joga tudo dentro da panela e pronto! Feijoada, rabada, buchada, todas essas comidas saudáveis, ele adora fazer de caldeirão! Por conta disso, começou a reclamar do fogãozinho de quatro bocas, antiguinho e lá fomos nós em busca de um fogão novo.

Ah, eu PRECISO contar!!!! Ele foi primeiro, fez uma pré-seleção e depois me levou. Fez a maior propaganda de um fogão da Bosch, 5 bocas e com precinho muito bom. Quando chegávamos perto do Magazine Luíza, ele aponta pra um fogão praticamente no meio do corredor, com um cartaz enorme "PROMOÇÃO" e a porta do forno aberta. "Não é bonito, amor?" E antes que eu respondesse, chega um funcionário com uma caixa de ferramentas pra consertar a porta do forno. "kkkkkkkkk", rimos eu e a Rafa: "O fogão já quebra antes de ser usado!!!!!"

Eu cozinho bem quando QUERO COZINHAR e QUANDO pego um fogão pra limpar, é com palito de dentes que vou desencrostrando toda aquela gordura que junta nas frestinhas. Sempre disse que fogão deveria ser feito sem emendas, que é pra não juntar essa sujeira. E na hora da escolha, levamos isso em consideração.

Passamos o dia avaliando os modelos, sempre considerando o design, qualidade dos bocais e das grelhas, recursos, consumo, tamanho do forno e facilidade de limpeza. Ah, e preço, que eu não tô podendo! Optamos e, na verdade, nos apaixonamos por um modelo de 6 bocas da MABE. Seu único defeito era não ter grades deslizantes no forno, mas nos conformamos.

SAC em ação: um dia, percebi que um dos botões acendedores estava frouxo e descobri que havia quebrado por dentro. Liguei no 0800 e imediatamente o técnico fez a troca do botão quebrado. Como eu quase não cozinho, somente agora que minha empregada me deixou na mão e eu TIVE que cozinhar, foi que percebi que há mais 3 botões quebrados! Liguei na terça-feira (06) e a atendente me deu o número do protocolo e informou que o agendamento estava feito para o dia 08. Ok, eu espero.

No dia 08, eu que não sou boba nem nada, liguei logo depois do almoço na assistência, pra saber se havia previsão para o horário da visita. E aí????? Qual não foi minha surpresa, quando a moça me disse que não havia atendimento agendado pra mim!!! Fiquei doida e disse que eu tinha o número do protocolo, nome do atendente e hora da ligação, mas ela respondeu que não era o SAC que agendava o serviço e sim, a assistência. Aí eu disse que ia ligar de volta no 0800 pra saber então, porque diabos o Daniel havia me feito de trouxa, passando informação errada! Nisso, a moça disse: "Ah, é endereço tal? Tá agendado pra amanhã, horário comercial". Bom, menos mal, né? Então tá, aguardo até amanhã, porque hoje eu estou boazinha!

Hoje: você que tá lendo isso tudo, veio ver meu fogão? Nem ninguém! Cheguei 16:30 e liguei na assistência. "Não, não tem nada agendado nesse endereço." Como assim? E contei toda a história. "Com quem a senhora falou?" Nunca, nunca deixe de anotar o nome do infeliz que te atendeu! Eu não anotei e já havia me esquecido o nome do ser! Mas, a gente tem que ser rápida! "Olha meu bem, eu não me lembro do nome dela, mas você repete o seu, porque eu vou desligar esse telefone e ligar no 0800 agora mesmo, pra registrar a falta de responsabilidade da sua empresa". Aí ela pediu aquele momento, por favor e passou pra outra pessoa. "Senhora, seu atendimento estava agendado pra hoje, mas houve um problema com o técnico e ele não pôde ir." E eu: "Sim! E se eu não tivesse ligado agora, iria ficar de plantão até as 18h, porque ninguém iria me avisar?" "Ligamos, senhora, mas o telefone não atendia". "Sinto muito, mas você está mentindo. A moça confirmou meu endereço e afirmou que não havia atendimento agendado pra mim. E agora, o que você me propõe?" "Posso estar agendando pra terça, dia 13, horário comercial." "Meu bem, horário comercial é um espaço temporal muito amplo. Eu tenho que ficar em casa o tempo todo e o técnico só chegar às 17:45. Isso não é correto." "Tudo bem, pode ser na parte da manhã?" "Já melhorou."

Desliguei e liguei no 0800. A moça abriu meu protocolo e viu que realmente havia o agendamento pro dia 08, mas que NAQUELE dia, houve o problema com o técnico e por isso, haviam transferido a visita para o dia 09. Isso tudo entre eles, eu sem saber de nada! A assistência seria responsável por fazer a comunicação. Como a atendente percebeu que os procedimentos foram todos irregulares, abriu ocorrência, ligou na assistência enquanto eu aguardava na linha, notificou a empresa na mesma hora, confirmou comigo se o horário de visita estaria bom pra mim e ainda sugeriu que eu reforçasse a ocorrência junto a GE que é proprietária e fabricante da marca Mabe.

Acabei de fazer isso. Agora, só falta mandar um e-mail pra Malu Mabe - Mader, mandando ela tomar no botão e deixar de fazer propaganda de fogão que esquenta é a cabeça do cliente!
Ah... mas ele não é uma gracinha? Branco e inox, que é pra não sair de moda e ainda por cima, lisinho, fácil, fácil de limpar. Custava fazerem uns botões que prestassem?